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A evolução da postura sexual feminina

A sexualidade feminina durante séculos esteve ligada à reprodução. No auge da repressão sexual, durante a época vitoriana (1837/1901) ondas de puritanismo e intolerância conduziram a grandes estudos sobre sexualidade, possibilitando o início de mudanças das leis que abrandavam as punições sobre comportamentos sexuais considerados inadequados.

Para que possamos compreender o modelo sexual que imperava neste período, transcrevo abaixo uma prescrição entregue as noivas quando na época do casamento no ano de 1894, na cidade de Nova York, por RUTH SMYTHERS (Amada esposa do Reverendo L. D. Smythers, Pastor da Igreja Metodista Arcadiana da Conferência Regional do Leste.).

Sobre a conduta e procedimentos nas relações pessoais e íntimas no estado de Matrimônio para a maior santidade espiritual deste abençoado Sacramento e para a Glória de Deus.

Evolução da postura feminina

Evolução da postura feminina

Para a jovem sensível que teve os benefícios de uma criação apropriada, o dia das bodas é, ironicamente, tanto o mais feliz quanto o mais terrível dia de sua vida”. No lado positivo, há o casamento em si, no qual a noiva é a atração central, numa cerimônia bela e inspiradora, simbolizando o triunfo em assegurar um homem que proverá necessidades dela pelo resto de sua vida natural. Do lado negativo, há a noite de núpcias, durante a qual a noiva pagará o tributo, por assim dizer, encarando pela primeira vez a terrível experiência do sexo.

Neste ponto, cara leitora, permita-me situar uma chocante verdade. Algumas mulheres, de fato antecipam o sofrimento da noite de núpcias com curiosidade e prazer! Cuidado com tal atitude! Um marido egoísta e sensual pode facilmente tirar vantagem de tal noiva.

Uma regra cardinal do casamento não deve jamais ser esquecida: dê-se pouco, dê-se raramente, e, sobretudo, dê-se relutantemente. Em outro caso, o que poderia ser um casamento apropriado pode tornar-se uma orgia de luxúria sensual.

Por outro lado, o terror da noiva não precisa ser extremo. Embora sexo seja no mínimo revoltante e no máximo doloroso, deve ser encarado, e o tem sido pelas mulheres desde o início dos tempos, e é compensado pelo lar monógamo e pelas crianças produzidas a partir dele.

É inútil, na maioria dos casos que a noiva se imponha ao parceiro no encaminhamento da iniciação sexual. Embora o marido ideal devesse ser o que se aproximaria da esposa apenas a um sinal desta e apenas para propósitos de obter filhos, tal nobreza e pouco egoísmo não pode ser esperada do homem médio.

A maior parte dos homens, se não lhes for negado, buscará o sexo quase que todo dia. A noiva sábia permitirá somente duas breves experiências sexuais semanalmente durante os primeiros meses de casamento. À medida que o tempo passa, ela deve fazer todo o esforço para reduzir essa frequência.

Adoecimentos fingidos, sonolências e dores de cabeça estão entre os melhores amigos da esposa neste assunto. Argumentos, resmungos, críticas e querelas também se provam muito eficientes, se usados no fim da tarde cerca de uma hora antes do momento em que o marido usualmente começa a sedução.

Esposas espertas estão sempre atentas para métodos novos e melhores de negar e desencorajar os ímpetos amorosos do marido. Uma boa esposa deve esperar ter reduzido os contatos sexuais para uma vez por semana ao final do primeiro ano de casamento e para uma vez ao mês no final do quinto.

No décimo aniversário grande parte das esposas conseguiram completar a geração de filhos e alcançaram o objetivo maior de terminar todos os contato sexuais com o marido. Nesta época elas podem apoiar-se no amor pelas crianças e nas pressões sociais para manter o marido dentro de casa.

Ao mesmo tempo em que ela deve estar alerta para manter a quantidade de sexo tão baixa quanto possível, a noiva sábia prestará igual atenção para limitar o tipo e o grau dos contatos sexuais. Os homens são, na maioria e por sua própria natureza, bastante pervertidos, e se lhes for dada uma chance, envolver-se-ão numa ampla variedade das mais revoltantes práticas. Essas incluem, entre outras, executar o ato sexual normal em posições anormais, por a boca no corpo da mulher e oferecer seu próprio corpo vil para que ela ponha a boca.

Nudez, conversas sobre sexo, ler histórias sobre sexo, ver fotografias e desenhos expondo ou sugerindo sexo são outros hábitos repulsivos que um homem poderá adquirir se lhe for permitido.

Uma esposa sábia tomará como objetivo nunca permitir que o marido lhe veja o corpo despido, e nunca permitirá que ele mostre a ela o corpo nu. Sexo, quando não puder ser evitado, deve ocorrer em total escuridão. Muitas mulheres acham útil ter para elas grossas camisolas de algodão e pijamas para os maridos. Essas peças devem ser trocadas em quartos separados, e não precisam ser removidas durante o ato sexual. Assim um mínimo de carne ficará exposto.

Uma vez que a esposa tenha vestido a camisola e apagado todas as luzes, ela deve deitar-se quieta ao longo da cama e aguardar o marido. Quando ele vier, tateando, para o quarto, ela não deve fazer nenhum som que o oriente na direção dela, do contrário ele pode tomar isso como sinal de encorajamento. Ela deve deixá-lo tatear no escuro. Há sempre a possibilidade de que ele tropece e provoque algum pequeno machucado, que ela pode usar como desculpa para negar-lhe o acesso sexual.

Quando ele a encontrar, a esposa deve permanecer tão imóvel quanto possível. Movimentos corporais da parte dela podem ser interpretados como excitação sexual pelo marido otimista.

Se ele tentar beija-la nos lábios ela deve voltar à cabeça levemente, de modo que o beijo caia inocentemente nas faces. Se ele tentar beijar-lhe a mão, ela deve fechar o punho. Se ele tentar levantar a camisola e beijá-la em outra parte qualquer, ela deve rapidamente recolocar a camisola no lugar, levantar-se da cama, e anunciar que a natureza a chama ao banheiro. Isso geralmente liquida o desejo de beijar em territórios proibidos.

Se o marido tentar seduzi-la com conversas lascivas, a esposa sábia subitamente lembrará algumas questões triviais, não sexuais, para perguntar a ele. Uma vez que ele responda, ela deve manter a conversação, não importa quão frívola possa parecer no momento.

Eventualmente o esposo aprenderá que se insistir em ter contato sexual, ele terá que prosseguir com envolvimento amoroso. A esposa sábia deixará que ele levante a camisola apenas até a cintura, e só lhe permitira abrir a frente do pijama para manter fazer contato.

Ela ficará absolutamente silenciosa ou balbuciará sobre as tarefas de casa enquanto ele a abraça e arqueja. Sobretudo, ela se manterá perfeitamente imóvel e nunca, sob quaisquer circunstâncias dará grunhidos ou gemidos enquanto o ato está em curso.

Tão logo o marido complete o ato, a esposa sábia começará a admoestá-lo sobre várias pequenas tarefas que ela quer que ele faça amanhã. Muitos homens obtêm a maior porção de seu prazer sexual da exaustão pacífica imediatamente posterior ao término do ato. Assim a esposa deve assegurar que não haja paz nesse período que ele possa desfrutar. Em caso contrário, ele pode sentir-se encorajado a tentar novamente em breve.

Um fato crucial pelo qual a esposa deve ser grata é o fato de que a casa, a escola, a igreja e o meio social do marido trabalharam juntos, por toda a vida, para instigar-lhe um profundo sentido de culpa quanto aos sentimentos sexuais, de tal modo que ele vem para o leito nupcial, desculposamente e envergonhado, já intimidado e diminuído. “A esposa sábia se prevalece dessa vantagem e incansavelmente persegue seu objetivo

de em princípio reduzir e depois aniquilar completamente os desejos de consumação sexual do marido.”

Este molde vigente de padrão sexual inibitório de certa forma era festejado pela família que sinalizavam a partir do nascimento de uma criança que a vida seria mais fácil para o sexo masculino induzindo na mulher uma castração inconsciente de um comportamento espontâneo de sua sexualidade frente a seu desejo, provocando o surgimento de uma série de disfunções sexuais tais como vaginismo, desejo sexual hipoativo e anorgasmia.

Mesmo com o advento da pílula anticoncepcional na década de 50, que modificou o perfil de liberdade sexual no mundo trazendo mudanças comportamentais importantes e afastando crenças negativas em relação à sexualidade, não foi suficiente o bastante para possibilitar a esta primeira geração pós-pílula um crescimento autônomo e desprovido de influencias comportamentais.

Era importante manter o papel de gênero em simetria com o que deveria ser desempenhado e exigido pela sociedade independente de como um dia pudessem se posicionar em relação a estas atitudes.

A mulher lutava ainda para encontrar na sexualidade algo além da reprodução e da maternidade

Porém esta geração sedimentou frutos, favorecendo uma postura mais segura e ousada, o que provocou crises sexuais entre os homens, pelos resquícios do machismo remanescente.

Esta mulher da década de 90, que pode optar por ficar só, ou de fazer sexo na casa dos pais, levantou a bandeira de patriarcado versus igualdade e prega o amor baseado na individualidade, amizade e liberdade.

A sexualidade se distancia do significada procriação e a maternidade perde importância para a completude da mulher

Novos vínculos ampliam a possibilidade do compromisso (casamento aberto, troca de casais, união estável, casas separada, união homossexual) sem o modelo definitivo.

A noção de família, perenidade do casamento e dependência entra em cheque, o numero de divórcios pedido por mulheres aumenta 500 % (1990 a 1994).

Esta é a nova mulher que se apresenta contemporânea com o domínio publico e muitas vezes responsável pela família que faz o homem compreender que a supremacia masculina é um mito.

Se por um lado, essas conquistas, aproximaram homens e mulheres para que desfrutassem com mais naturalidade do sexo, de outra forma efeitos indesejáveis tais como gravidez-inadequada, maior exposição a DST/AIDS, álcool e tabagismo sobrepôs-se as disfunções sexuais, fazendo com que todas as especialidades voltadas para educação sexual unissem esforços com objetivos de encorajar o crescimento emocional, e a prevenção de possíveis riscos.

Conclusões:

Temos consciência de que homens e mulheres nascem com a mesma capacidade orgástica e de que sociedade, família e religião podem estimular ou inibir o potencial sexual nato. As mulheres se desenvolveram progressivamente e estão alterando de fato as normas sociais retrógradas.

Os profissionais de saúde sexual precisam estar atentos às mudanças desta nova geração de mulheres para informar quanto aos ganhos e as necessárias precauções, de modo que a nova ordem sexual possa ser vivida de maneira livre e segura.

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